O vestido ideal


Depois de uma longa estadia na capital paulista e de volta para São Miguel do Oeste, o estilista Júnior Babinski aponta algumas dicas que podem ajudar qualquer casamento. Além de trabalhar com nomes importantes da moda noiva no país, Babinski também foi responsável por vestir mulheres de diferentes culturas e criar vestidos deslumbrantes. Seus desenhos encantam mulheres e criam universos; e suas orientações auxiliam muitas delas na escolha do vestido ideal.

A primeira dica do estilista é esquecer lendas urbanas. “Muitas mulheres acreditam que devem provar um grande número de vestidos até encontrarem o seu vestido ideal. Devemos esquecer isso. Nada garante que o vestido perfeito seja o último a ser provado, nem tampouco o primeiro. Mas, se for o primeiro, não há motivo para se torturar em uma busca prolongada. O importante é confiar no seu sentimento em relação ao vestido.”

Babinski continua: “outra dica importante é tomar cuidado com o ‘vestido simples’. Uma estética simplista e minimalista é perigosa. Vestidos lisos, por exemplo, necessitam de uma exímia costureira com habilidades extraordinárias para não marcar o tecido - o que não se faz tão necessário quando o vestido é confeccionado com renda. Tal profissional possui, logicamente, um custo mais elevado. Além de marcarem mais o corpo e deixarem a silhueta feminina menos suavizada, os vestidos lisos também podem apagar a noiva quando próximos aos quase sempre marcantes vestidos das madrinhas e/ou das convidadas.”

A terceira dica do estilista diz respeito ao corpo da noiva. “Em nosso país, as mulheres possuem a vantagem do quadril largo e da cintura fina. Digo vantagem, pois essa estética só foi obtida pelas mulheres européias quando Dior lançou o New Look, aproximadamente na década de 1950. Essa estrutura do corpo da mulher brasileira é por si só um forte elemento da estética feminina. O cuidado é, então, no sentido de escolher um vestido que crie uma compensação com os ombros, para que não tenhamos o risco de ter uma noiva com efeito ‘pera’. Entram em cena o decote em ‘V’ e os vestidos semisseria, belos coringas que vestem muitas mulheres.”

Para Babinski, também se deve ter atenção quanto ao composê da noiva. “Um casamento é uma história. Uma noiva é um texto. Precisa haver coerência e concordância. O vestido não pode fugir ao que o casamento pretende contar e, também, não deve figurar fora da real personalidade da noiva. Quando isso acontece, é comum ouvirmos convidados comentando: ‘o vestido estava lindo, mas não tinha nada a ver com a noiva.’ Ela está, então, apresentado um texto equivocado sobre si mesma e vestindo uma fantasia. Quando o vestido é o ideal, os convidados nada comentam, apenas ficam boquiabertos.”

Excesso de informação e excesso de opinião

As mulheres brasileiras, de uma maneira geral, são muito bem informadas sobre a moda. O estilista destaca: “as brasileiras possuem muito bom gosto, são atentas ao universo da moda, pesquisam referências, olham vitrines, buscam por modelos e marcas de vestido. Se você olhar o conteúdo do celular de uma noiva, muito provavelmente irá encontrar uma infinidade de referências sobre o vestido, o buquê, a maquiagem e outros detalhes.” Esse excesso de informação tem dois lados para o estilista: em um momento democratiza a estética e atualiza a moda, em outro, pode poluir e confundir a cabeça da noiva.

É preciso lembrar que, em muitas imagens, há um grande esforço de mídia. Modelos esculturais com retoque digital não são a realidade da maioria das mulheres, portanto, faz-se necessário um olhar atento e crítico para as referências que a noiva carrega. Outro fator que pode gerar confusão quanto ao vestido ideal é o excesso de opinião. Para Júnior Babinski a questão pode ser entendida da seguinte maneira: “é muito natural que uma mulher projete sobre a outra sua própria ‘fantasia’, seu gosto, seu olhar. É bastante frustrante para a noiva quando, ao escolher e se emocionar com o vestido, ela ouve algo como: ‘ele é lindo, eu só não me casaria com ele’ vindo de uma amiga, irmã ou madrinha”.

A mãe, uma grande amiga de infância que a conhece e a acompanha desde pequena, uma ou outra pessoa muito próxima. Estas são as mulheres mais indicadas para estarem com a noiva no momento da escolha. “É importante que a noiva evite o excesso de pessoas na sua grande escolha, pois, assim, perde-se um pouco do segredo do vestido. Para que a noiva arranque suspiros ao surgir no casamento é fundamental preservar o elemento surpresa”, orienta o estilista.

Não combine tudo, mas crie uma bonita harmonia

Trabalhando na terra da garoa, Babinski pôde ter contato com noivas de diferentes culturas e religiões – mulheres muçulmanas, judias, mórmons, anglicanas, angolanas, colombianas, entre outras – e, através delas, identificar tendências de casamentos. “Temos visto muitas referências ao estilo americano e europeu. A noiva americana gosta de vestir as madrinhas com o mesmo modelo e a mesma cor de vestido - o que no Brasil se torna pouco aplicável, visto que as brasileiras não possuem corpos tão parecidos como as americanas possuem umas com as outras. Somos uma grande mistura de povos, precisamos valorizar isto no altar. A noiva européia surge, também, com força, com casamentos no jardim de casa, com cerimônias mais intimistas e vestidas mais levemente.”

Para o casamento atual, o estilista recomenda unir elementos das duas tendências. O casamento não precisa ter flores que combinem com a gravata dos padrinhos ou com o salto colorido da noiva, ao estilo da decoração americana; também não é necessário seguir ao pé da letra a proposta européia, e vestir tons pastéis em todos os convidados ou casar-se usando uma grinalda de flores naturais. O bom senso, segundo Babinski, está em equilibrar o que dessas referências cabe ao contexto da história que os noivos querem contar.

“É bom criar um cenário coeso, mas não é necessário combinar tudo de forma extrema. É importante tem a consciência de que alguns elementos fazem parte do contexto simbólico e ritualístico do casamento, e merecem destaque; e outros cumprem a função de paisagismo.” O estilista acrescenta: “usar algo azul, algo velho, algo novo e algo emprestado é uma tradição americana. Usar jóias de família pode ser entendido como uma tradição européia. É legal a noiva pesquisar se há alguma tradição na sua própria família e usar dessa tradição para carregar o casamento de um significado mais intimo, mais próprio.”

Por fim, Júnior Babinski chama atenção ao conceito do casamento e afirma ser fundamental antes mesmo de escolher o vestido ideal, escolher o “conceito ideal” do grande dia. Somente com a ideia formada sobre a história que irão contar é que deve dar-se a largada para a procura do vestido e de outros tantos itens. A coerência, ressalta Babinski, é tudo em um casamento perfeito. E, assim, seguindo algumas pequenas orientações, encontrar o vestido ideal será fácil e prazeroso.

Imagem: acervo próprio.

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