O anonimato dos vestidos milionários


Nem Prada, nem Dior, nem Chanel. Os vestidos mais caros do mundo não são assinados por grandes nomes da moda, nem tampouco por grandes ateliers ou grifes. O mercado milionário – para não dizer bilionário – de vestidos de luxo carregam os nomes tímidos e humildes de estilistas quase anônimos.

Este é o caso Debbie Wingham. A estilista britânica, jovem e pouco conhecida pelo mercado de moda internacional, foi responsável pela confecção do vestido mais caro do mundo. O modelo é um tomara-que-caia preto, com pepluns e uma fenda. Até aqui, tudo normal.

A genialidade de Debbie foi trabalhar com pedras preciosas e raras – 50 diamantes negros de dois quilates cada um somam-se com filigramas em ouro e outros diamantes brancos. O vestido de Debbie foi confeccionado todo à mão e, ao contrário dos cânones da alta costura, não foi apresentado em Paris, Milão, Londres ou Nova Iorque – o modelo foi desfilado durante a Semana de Moda da Ucrânia.

O vestido levou mais de seis meses para ficar pronto, pesa aproximadamente 13 quilos e custa pouco mais de R$ 11,5 milhões. Debbie acabou entrando para a lista da World Record Academy como a estilista do vestido mais caro do mundo. Mas, se nem o nome da(o) estilista, nem o nome da marca são relevantes, o que torna um vestido tão caro? Qual é o grande diferencial?

Como diria a cantora “Valesca Popozuda” no hit que lhe rendeu as graças da revista Vogue Brasil, “pras invejosas de plantão” saberem: o que torna um vestido uma peça milionária são as jóias (raras e únicas) bordadas à sua superfície. Martin Katz o sabe bem. O estilista fechou uma parceria com o joalheiro Renne Strauss, com qual trabalhou para criar um dos vestidos de noiva mais caro da história. O modelo também é um tomara-que-caia, estilo sereia, com 50 quilates em diamantes, quase mil pérolas bordadas e está avaliado em cerca de R$25 milhões. Os vestidos de noiva de Lady Di, Kate Middleton e Victoria Beckham também fazem parte desse clube nada humilde.

Modestos, ainda que caros. Sem as jóias, um vestido de alta costura é só um vestido. Segundo o jornal britânico Daily Mail e o site brasileiro Glamurama, o look mais caro do Oscar 2014 foi o de Cate Blanchett. Assinado por Armani, o vestido custou modestos R$ 235 mil – enquanto as jóias usadas por Cate, da marca Chopard, custavam aproximados R$ 42 milhões. O segundo lugar ficou com Charlize Theron: vestido Dior de R$ 211 mil e jóias Harry Winston de R$ 3,9 milhões. O terceiro lugar é ainda mais modesto: a eterna Miss Simpatia Sandra Bullock usou um Alexander McQueen de R$ 94 mil e jóias (aí sim) Lorraine Schwartz avaliadas em R$ 19 milhões.

Em suma, não são as marcas, nem o renome. O que diferencia e precifica de maneira tão alta os vestidos é o trabalho – artesanal e minucioso – de bordar e combinar pedras preciosas à superfície de tecidos, e isto sim é capaz de transformar um vestido em uma verdadeira jóia, ainda que seu criador(a) seja quase um anônimo.

Fonte da imagem: elaborado pelo autor.

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