E hoje? Vamos raspar?


Você já deve ter visto na televisão. Talvez em revistas. Talvez, até mesmo, nas ruas. O cabelo raspado nas laterais é uma das tendências mais bem vindas para todos aqueles e aquelas que desejam vender ousadia e atitude. Não é mera coincidência que os mercados da moda e da música tenham impelido os ícones da atual cultura pop, como Miley Cyrus e Rihanna, a usar o undercut como visual para atrair o público jovem.

A lista de celebridades que adotaram o visual é extensa. Avril Lavigne, Pink, Demi Lovato e muitas outras referências do mundo da música e do entretenimento aderiram ao undercut, seja por vontade própria ou por força dos stylists das grandes produtoras americanas. Contudo, engana-se quem acredita que a tendência é nova. Em 2011, a modelo brasileira Alice Dellal apareceu em uma importante premiação com uma das laterais da cabeça raspada e com a outra com o cabelo jogado de lado. De lá para cá o undercut só se popularizou.

Mas o que é undercut? Na tradução simplificada, undercut significa “cortar por baixo”. E isto é, de fato, o que acontece: por deixar os fios rentes ao couro cabeludo, variando minimamente o comprimento, o corte é desenhado como “um corte sob outro corte”. Passar a máquina na nuca e nas laterais, completa ou parcialmente, e deixar o cabelo mais volumoso na parte superior, como um moicano. Isto pode definir o undercut.

O modismo é bastante democrático. O corte pode ser feito tanto no cabelo masculino, quanto no feminino, em cabelos lisos ou ondulados, e cai bem com qualquer cor de cabelo. É válido lembrar, antes da decisão de passar a máquina nas madeixas, que o cabelo raspado pode demorar até dois anos para alcançar os ombros. Para ter certeza do corte e de que região raspar é sempre necessário consultar um profissional de confiança.

O cabelo raspado nas laterais ressurgiu como uma nova leitura do estilo undercut. O estilo, mais forte do que o modismo, era uma estética comum entre a juventude das grandes cidades das décadas de 1970 e 1980; e misturava referências dos movimentos punk e grunge. Nesse sentido, David Bowie e Cindy Lauper eram as referências do undercut. E antes mesmos da supracitada Alice Dellal, foram modelos francesas as primeiras a retomarem o estilo, no começo de 2011.

O undercut passa, assim, de um estilo marcante do punk e do grunge de outrora, para um modismo democrático que permite atribuir ousadia e atitude ao cabelo, que, por sua vez, passa a ser (mais uma) ferramenta da indústria da moda e da música para compor o visual dos ícones do pop e atrair, ainda mais, o público jovem.

Fonte da imagem: elaborado pelo autor.

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