O poder das novelas na moda


Muitos são os veículos capazes de influenciar nossas escolhas estéticas. Revistas, jornais, videoclipes, vitrines e, especialmente no Brasil, novelas. As novelas, que já foram consideradas vilãs, “a grande arma brasileira contra os brasileiros”, hoje são mais do que trama, texto e personagem: elas são um bom negócio – principalmente para a moda.

Presentes do papo no botequim até a mesa de jantar, as novelas estão arraigadas dentro do cotidiano da família brasileira, e influenciam tanto homens como mulheres. São, inclusive, assunto mais presente em nossa vida do que amigos ou colegas (e até mesmo familiares). E parte desse sucesso é advindo de profissionais capacitados para construir personagens verossímeis. Isto é, o mais realista possível. Para entrar no universo do personagem e convencer a audiência, entra em cena o figurino e o figurinista.

Figuro. Figurinista. É naquelas histórias e figuras da “telinha” que o brasileiro busca criar suas narrativas imaginárias e imagéticas sobre identidade e identificação, sobre si e sobre o grupo a que pertence ou busca pertencer. A moda aproveita desta oportunidade para aumentar a área geográfica de abrangência de uma tendência, facilitar o processo de adoção de uma peça e disseminar uma nova maneira de combinar looks.

Há, então, pessoas-vitrines e personagens, que coexistem durante a participação do indivíduo/ator na trama. Se por um lado há o figurinista da novela que tenta ambientar psico e sociologicamente o personagem, por outro há a indústria moda utilizando tais pessoas-vitrines como antenas, a fim de pulverizar e popularizar este ou aquele modismo.

É fácil perceber essa relação. Há algum tempo atrás, na trama de Salve Jorge, novela do horário nobre da Rede Globo, a atriz Giovanna Antonelli viveu a delegada Helo. As escolhas certas do figurinista fizeram com que o papel de Giovanna crescesse dentro da novela, uma vez que o público a tinha como referência por sua maneira de se vestir. Outro caso de sucesso, em termos de figurino, foram as meias de lurex e as sandálias da novela Dancin’ Days, exibida pela mesma emissora, entre os anos de 1978 e 1979. O figurino da novela, que aparecia logo na entrada quando a trama ia ao ar, tornou-se uma febre e dominou a juventude da época.

É inegável, então, que as telenovelas têm forte poder sobre o consumo de moda dentro dos lares brasileiros. Personagens, ou pessoas-vitrines, acabam por converter seu corpo em um manequim para a exposição dos interesses da indústria da moda, sejam eles aumentar o consumo de uma peça ou popularizar um conceito, um modo de se vestir ou uma maneira de combinar looks. Para a moda, hoje mais do que em outros tempos, as novelas são um bom negócio.

Fonte da imagem: elaborado pelo autor.

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