Estilo pós-treino II


Na publicação passada refletimos um pouco sobre o estilo pós-treino, ou activewear. A tendência, que não é uma novidade, nem tampouco puro modismo, busca associar a funcionalidade, a praticidade e o conforto com um visual que permita seu uso além das academias. A moda activewear veio para facilitar nossa vida.

Vivemos em um ritmo acelerado, nossos dias são praticamente maratonas. Filhos, emprego, casamento, trabalho, amigos, família, preocupações e mais preocupações. A moda activewear, desdobramento do segmento sportswear, repensa a ocupação do tempo no cotidiano atual e propõe um adendo: usar a roupa de academia por mais tempo, para mais atividades.

Este pensamento surge em um momento propício. O crescimento e popularização de aulas de yoga, de dança, pilates, ginástica, corrida e tantas outras formas de entrar em forma, torna-se um campo fértil para que aproveitemos mais a roupa que antes só tinha uso durante os exercícios físicos. E parte dessa nova premissa está na percepção da indústria da moda em tornar tais peças visualmente mais atrativas através de novas tecnologias, como estampas digitais e tecidos com alto desempenho.

Atualmente, a China tornou-se o país líder em distribuição de artigos esportivos e é sede da produção de grandes marcas mundiais, como Puma, Nike e Adidas. Segundo o texto publicado por The Business of Fashion, os chineses registraram um aumento significativo nas vendas de tais artigos nos três primeiros meses deste ano, perfazendo o total de 7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Não faltam marcas, revistas e agências de publicidade para aproveitarem a boa onda do activewear. H&M, Uniqlo e GAP são renomados exemplos que têm aumentado o preço médio de seus artigos esportivos. Em 2011, a GAP já havia lançado sua primeira coleção no segmento e uma linha exclusivamente fitness, a GAP Fit.

O grande destaque, no entanto, fica por conta da escocesa Lyle & Scott. A marca, fundada em 1874 e de forte inspiração no golfe, havia sumido dos holofotes da moda. Contudo, no começo deste ano, William Lyle e Walter Scott voltaram para o mercado com uma coleção sportswear baseada no estilo clássico britânico. A campanha recolocou a marca na moda e está garantindo um incremento volumoso nas vendas da empresa.

E as estimativas não poderiam ser mais promissoras. A americana Trefis, empresa do ramo de pesquisas, aponta um crescimento generoso. Até 2019 estima-se que a moda sportswear gere US$ 178 milhões. O valor é projetado baseado em implicações factuais do mercado, como o crescimento das empresas de vestuário esportivo, que ultrapassou o de empresas tradicionais, segundo o Sindivestuário – sindicato que reúne as indústrias de vestuário feminino, infanto juvenil, masculino, camisaria e roupas brancas.

Logo, a moda sportswear e seu desdobramento, a activewear, são reflexos de um comportamento que cresce aceleradamente, a vida fitness. Além de ter de nos manter em forma, nossos dias tornaram-se verdadeiras maratonas, nosso cotidiano exige que cumpramos mais atividades em menos tempo. A indústria da moda, então, oferece um novo estilo com funcionalidade, praticidade e conforto: o estilo pós-treino.

Fonte da imagem: elaborado pelo próprio autor.

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