Number tees


Camisetas com números que remetem ao universo do futebol e do basquete americanos, geralmente largas. Number tees podem ser traduzidas nesse conceito básico. Porém, são mais do que uma simples definição ou um modismo passageiro. Por trás da febre que abocanhou celebridades como Miley Cyrus, Rihanna e Cara Delevingne, e causou furor na última semana de moda de Nova Iorque, está um comportamento de consumo legítimo: o ser nostálgico.

Rastrear o surgimento de uma tendência é tarefa difícil. Mas, seguramente, pode-se dizer que as Number tees apareceram primeiro na passarela da estilista Isabel Marant. A estilista é reconhecida mundialmente por ressignificar elementos do esporte e transformá-los em modismos de alto impacto. Antes das Number tees, Isabel Marant foi responsável pela febre dos sneakers.

As Number tees também conquistaram seu espaço ao sol na indústria do entretenimento e da cultura pop. O universo do futebol americano foi introduzido pelo videoclipe Give me all your luvin de Madonna. Campo preparado, as Number tees apareceram com força no figurino da banda inglesa Little Mix – a girl group é a grande aposta do mercado da música pop – em videoclipes como How Ya Doin’?.

Entretanto, as Number tees não são apenas frutos do consumismo. São, também, reflexo de um comportamento pós-moderno e contemporâneo: o nostálgico. Talvez mais do que as gerações anteriores, a sociedade atual vê no passado uma fonte de segurança. Aproveitando-se desse espírito, a indústria da moda busca criar produtos que reflitam, ainda que implicitamente, tais conceitos – isto cria o desejo pelo consumo de algo “que não sabíamos que precisávamos.”

Nesse sentido, as Number tees são desdobramentos da moda da década de 1990. Naquela época, vivíamos a era de ouro da NBA, com Michael Jordan. E as camisetas de basquete não se reservavam apenas aos jogos: eram populares entre os cantores de hip-hop, estilo musical marcante até então. Na moda, o Sport chic era consagrado. A volta do universo da década de 1990 ainda pode ser percebida nas campanhas de moda atuais, nas quais grandes modelos da época retornaram à luz, como Naomi Campbell e Linda Evangelista. Na música, ressurgem grupos ao estile Spice Girls e Backstreet Boys.

Há, ainda, outro fator para as Number tees ganharem aderência: estamos no ano da Copa. Nesse contexto, o Brasil se torna campo fértil para o consumo da tendência, visto que nesse ano estamos sediando o mais importante campeonato do mundo. A Copa e o espírito dos esportes, de maneira geral, estão, então, fortemente presentes no imaginário do cidadão brasileiro.

Assim, de um mero modismo até o reflexo do espírito da sociedade atual, as Number tees, passageiras ou não, são o caso bem sucedido do encontro entre a percepção sensível da condição nostálgica do homem contemporâneo com a estratégia de consumo das indústrias da moda, do entretenimento e da música.

Fonte da imagem: elaborado pelo autor.

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