Selfie, selfie e selfie


Tirar foto de si mesmo nunca foi uma novidade. Contudo, se outrora o hábito parecia estranho e constrangedor, agora é contagiante. Da selfie em que o Papa aparece juntamente com um grupo de jovens até a imagem do ano, a selfie da apresentadora Ellen DeGeneres durante o Oscar 2014: a super exposição, combinada com as redes sociais, está alterando a natureza de como nos comunicamos e nos comportamos em sociedade.

Mas o que é selfie? Com origem no termo self-portrait, o neologismo inglês define um comportamento mais do que popular: uma fotografia tirada de si mesmo e destinada ao compartilhamento em redes sociais. Em 2013, selfie foi eleita a palavra do ano pelos dicionários Oxford, que apontaram que seu uso cresceu 17.000% somente naquele ano.

O selfie de DeGeneres, no qual aparecem muitas das principais estrelas de Hollywood, colapsou o Twitter e ultrapassou a marca de 3,3 milhões de compartilhamentos. Espontâneo ou minuciosamente planejado pelo departamento de marketing da Samsung e da ABC, o selfie da apresentadora tornou-se histórico e recebeu incontáveis versões e paródias. Os Simpsons, Grumpy Cat, Nicolas Cage, Charlie Brown e até a Lego entraram na brincadeira.

O italiano Nicolo Banini, do canal Human Safari do Youtube, soube aproveitar o comportamento selfie para ganhar notoriedade. Nicolo viajou por diversos países e a cada paisagem parava para filmar um selfie, sozinho ou com amigos. O resultado: seu vídeo já ultrapassa 1 milhão de visualizações na internet. Outro case de sucesso online é o irônico tumblr Histagrams, no qual imagens de personalidades históricas, fictícias ou reais, ganham uma versão moderna e satírica, como o selfie de Abraham Lincoln.

Segundo levamento do Pew Research Center, 91% dos adolescentes compartilham imagens de selfies em redes sociais. Grandes marcas criaram aplicativos e sites especializados neste comportamento. Selfie.im, Ur Turn e Webcam Toy são exemplos. No primeiro, pessoas do mundo inteiro publicam e compartilham selfies via iPhone; no segundo, sem grande dificuldade, o usuário pode se incluir no selfie de DeGeneres; e no terceiro, mais de 80 filtros e efeitos são disponibilizados para sua selfie e há como postá-la diretamente em suas redes.

Contudo, a brincadeira do autorretrato está longe de um modismo banal: como seres sociais, somos identificados e nos construímos sob a validação da comunidade em que nos inserimos. O desejo de ser benquisto, então, torna o compartilhamento de imagens pessoais uma busca por aprovação na qual cada “curtida” gera um sistema de incentivos e estimula novas ações.

O selfie não apenas tornou-se uma ferramenta de autoafirmação social, mas também ganhou espaço em nossa moderna vida íntima. A foto sexy, ou com uma feição meiga, tornou-se um rito de passagem no qual são investidas horas de tentativas e erros para se gerar uma imagem perfeita (e irreal) que, por sua vez, será utilizada como argumento de conquista em um flerte.

Logo, selfies são reflexos de um comportamento social que está sendo alterado. A busca por afirmação ganha terreno no meio virtual, as relações e os jogos de conquista tornam-se narrativas imagéticas compartilhadas nas redes sociais. A selfie argumenta, ironiza, satiriza, registra, comove, flerta e provoca – mas, também comunica. Comunica que estamos mudando.

Fonte da imagem: elaborado pelo autor.

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